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Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas
tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da
noite.
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Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como
eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer
entendimento.
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Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei
a escrever
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Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é
passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
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Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.
(A Hora da Estrela)
(A Hora da Estrela)
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Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.
(Perto do Coração Selvagem)
(Perto do Coração Selvagem)
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Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois
tudo passa a acontecer dentro de nós.
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Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia
de acertar.
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Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de
sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.
Ou toca, ou não toca.
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Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que
sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é
um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser
inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser
doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em
quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos
entender que não entendo.
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O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.
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Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não
entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo,
não sei me entregar à desorientação.
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Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que,
somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é
que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar
é fácil.
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O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?
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Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver
a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
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Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou
subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o
coração batia oco entre o estômago e os intestinos.
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"Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime único
era o de não amá-la. "Eu te odeio", disse muito apressada. Mas não
sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra até encontrar a água negra,
como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma?
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E se me achar esquisita,
respeite também.
até eu fui obrigada a me respeitar.
respeite também.
até eu fui obrigada a me respeitar.
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Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada
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Sou um coração batendo no mundo
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Sinto a falta dele
como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante
como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante
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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas
não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento
falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente
no que eu digo.
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Fique de vez em quando só, senão será submergido. Até o amor
excessivo pode submergir uma pessoa.
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Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim.
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Teu Segredo
Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.
Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.
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O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão mais
inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade
que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o
golpe da graça - que se chama paixão.
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Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como
quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de
boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter
esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
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